terça-feira, junho 29, 2010

Blog estagnado, como minha vida.

Eu não seria uma boa escritora. Para isso, teria de viver a base de remédios que inibam a ação da endorfina, dopamina, serotonina e outras "INA's" causadoras de felicidade artificial, simplesmente porque eu só tenho vontade de escrever quando me sinto mal, não só mal: quando me sinto no fundo de um poço, não um poço: uma fossa. Eu odeio me flagrar nesta situação deplorável de vomitar o que sinto num post, ainda mais pelo fato de este blog assemelhar- se a Chernobyl... vazio e tóxico, mas talvez algum infeliz possa se identificar com o que escrevo e se sinta melhor, ou mais miserável. Não tenho motivos palpáveis para reclamar. Pelo contrário, minha vida é ótima vista de fora: me encontro numa situação plenamente confortável. O problema emana de dentro do meu corpo, da minha cabeça, dos meus pensamentos e da vontade inexplicável de desaparecer. Não vou escrever incessantemente sobre os meus sentimentos, que fique claro, apenas, que não estou feliz. Para não ser um post absolutamente inútil, uso como referência o Jack, o fígado e rins do Jack, a vida desperdiçada do Jack. Sim. Clube da Luta. Quando me lembro dos discursos eloquentes de Tyler Durden, me sinto profundamente envergonhada, porque [contém spoilers] eu acho que sou exatamente o tipo de pessoa que precisa desenvolver uma segunda personalidade que me dê o tapa na cara que eu preciso levar para acordar na vida. Eu sou a vida latente da Anna. Ninguém me impede de fazer nada, talvez esse seja o problema, talvez eu precise de um obstáculo a transpor. Eu sou a cabeça cansada da Anna. Eu não quero tocar o foda-se pra nada, eu só quero atingir algum dos meus objetivos, fazer um gol (a copa do mundo contamina nossas mentes), terminar alguma coisa. Tudo isso seria possível se eu tivesse coragem. Eu não tenho coragem. É como se nada valesse a pena. E mesmo tendo consciência de tudo isso, ainda assim, é impossível agir! Eu preciso de algum maluco que jogue ácido na minha mão e me faça ver que eu vou morrer um dia? Eu perco tanto tempo pensando em como minha vida não vai pra lugar nenhum, que não sobra tempo pra tornar a vida menos absurda. Ou pra você é fácil viver ciente de que a morte se aproxima e que talvez não aconteça porra nenhuma quando o seu coração parar de bater, e que todos os seus diplomas, suas conquistas, sua dedicação... tudo o que você está fazendo ou está tentando fazer não vai servir pra absolutamente nada quando você for um monte de carne putrefando? Acabei escrevendo apenas devaneios de desabafo e não sinto mais vontade de escrever nada. FIM.

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