Meus momentos têm sido palavras comuns
Palavras que sempre dizemos
Quando perguntam se estamos bem.
Quando dizemos “tudo certo”
E rimos de desespero
E não temos ninguém por perto.
E choramos por dentro.
Discreto.
As palavras bonitas viram fumaça
Ameaçam dizer coisas de amor.
Aguardam e choram
Enquanto eu procuro um guardador
Que, na paz e na guerra
Na sanha e no pudor
Dê sentido à palavra bela
Que faça dela
Uma pétala de dor.
Ainda encontro palavras complicadas
Que insisto em tentar definir
Para que definir uma lágrima
Se ainda posso fingir?
É que a lágrima se faz uma dúvida
A tentar me destruir
E atenta procuro algo
Algo ou alguém que me faça sorrir
Porque enquanto defino o sorriso
Engano o caos da solidão
Faço a dúvida dormir.
(Anna Lucena)