segunda-feira, outubro 22, 2007

Dias e dizeres.


Meus momentos têm sido palavras comuns
Palavras que sempre dizemos
Quando perguntam se estamos bem.
Quando dizemos “tudo certo”
E rimos de desespero
E não temos ninguém por perto.
E choramos por dentro.
Discreto.
As palavras bonitas viram fumaça
Ameaçam dizer coisas de amor.
Aguardam e choram
Enquanto eu procuro um guardador
Que, na paz e na guerra
Na sanha e no pudor
Dê sentido à palavra bela
Que faça dela
Uma pétala de dor.
Ainda encontro palavras complicadas
Que insisto em tentar definir
Para que definir uma lágrima
Se ainda posso fingir?
É que a lágrima se faz uma dúvida
A tentar me destruir
E atenta procuro algo
Algo ou alguém que me faça sorrir
Porque enquanto defino o sorriso
Engano o caos da solidão
Faço a dúvida dormir.

(Anna Lucena)

sexta-feira, outubro 19, 2007

Voltando a sentir...


Quero cantar minha própria canção
Desdizer o que disse
Batucar nas palavras
Pra fazer melodias de pranto
Na morte do dia, na marquise, eu canto.

Eu bem que disse, e em vão
Maldisse as paredes do quarto
Maldito quarto, guardador de segredos
E sonhos
E mortes de dores
De dores mortais.

(Anna Lucena)