
Todos os dias do ano,
Eu só preciso de um abraço que me encoste,
Um sorriso dado de graça,
Um carinho que eu goste.
Todos os dias da semana
Eu só quero uma afrouxada na gravata
para não enlouquecer
Um canto para me esconder
das luzes forte de néon
que entram pela janela
E iluminam as marcas de batom.
As fúteis marcas no meu colarinho,
Vermelhas, carentes e brilhantes,
só me fazem lembrar que estou sozinho.
Quando a luz vai embora
Eu posso sentir sua respiração.
No apartamento vizinho uma criança chora
E tira minha atenção.
Não sinto mais a pedra no sapato,
mas o casal no carro ao lado
Bloqueia minha visão.
As palavras de amor cuspidas do rádio
inutilizam minha audição.
A música vinda daquela sala
Eu não sei o que diz
Mas é de mim que ela fala.
E eu procuro em todo lugar,
Não lábios de martíni para beijar,
Mas uma marca de batom que vá me saciar.

