segunda-feira, janeiro 28, 2008
Morte e Vida, personagens principais de um livro sem nome.
Sabe, eu estou lendo um livro chamado “A Menina que Roubava Livros”, de um rapaz muito sensível, chamado Markus Zusak. Uma coisa peculiar sobre esse livro, é que a narradora é nada mais, nada menos que uma senhora conhecida como Morte. O que é muito interessante, porque quem já leu os quadrinhos do Maurício de Sousa ou já viu Bill & Ted: Uma Aventura Fantástica tem uma referência para imaginar a personificação da morte. Aquela criatura esquelética (literalmente), de capa preta e longa e aquele capuz sombrio. Normalmente, tem também aquele jeito intelectual e com a experiência de todos os humanos da terra. Enfim, é uma figura metida a sabichona que te carrega pras profundezas misteriosas da morte.
Mas surgiu o seguinte questionamento na minha cabeça: E a vida? Sim, o contrário de morte, pelo que sabemos. Quem é ela? Será que está escondida nas nossas dúvidas sobre o sentido da vida? Será que é um trilho de trem? Será ela? Será ele? Muito se escreve sobre a vida, muito se pergunta. E muito se pergunta sobre a morte, nada se sabe sobre ela, ao menos, nada certo e concreto. Porém, a morte tem uma representante estilosa nos quadrinhos, filmes etc. A Vida, não.
E cá estou tentando desenhar o retrato da Vida. Mas não sei se é bonita, não sei se se veste bem. Não sei se ela usa roupas. Nem se gosta de si mesma. Será que ela lê muito? Será que vê desenhos animados? Difícil imaginar uma Dona Vida que represente todas as vidas que existem, talvez por isso, não haja uma Dona Vida. Será que ela carrega os seres para as profundezas misteriosas da vida, então? Ahhhh, não sei, mal consigo imaginar uma Dona Vida que represente só a minha existência! Mas, provavelmente, ela teria fases e metamorfoses, como borboletas, ou sapos. Não sei. Pouco entendo deste assunto.
Talvez a vida seja o ar que respiramos, ou a luz que nos permite saber o que tem a nossa volta. Talvez seja impossível desenhar a vida numa coisa só, assim como fazemos com a morte. Ela mesma não deve ser muito satisfeita com sua aparência. A vida é uma mistura de tempo e espera e dor e sonhos e marcas e casquinhas de ferida e lugares e tralhas que não temos coragem de jogar fora e conceitos e ilusões e sentimentos e lágrimas e sorrisos. A vida é um traço. É um susto que se estende. É um caminho para cada alma. Ou talvez não seja nada. A vida é um traço de susto que se estende pelos caminhos. Um caminho tracejado no susto... hmmm...
A vida é uma folha de papel em branco.
Prontinha pra ser rabiscada.
E depois dada de presente.
Pra Dona Morte.
Amém.
quarta-feira, janeiro 16, 2008
Alguma coisa sobre decisões...
Eu vejo os passos rápidos nas calçadas
As rodas obedientes no asfalto
Os tropeços nas escadas
As vozes se confundindo
Os gritos competindo
E eles não sabem que eu sei
Por isso continuam sorrindo
Fingindo que um sorriso despista
Mas depois de tanto tempo
Perdendo o tempo pelo ar, vendo o mundo
Eu descobri que de manhã
Quando o sol bate na gente e grita bom dia
Os passos começam a se arrumar
E a noite, quando o sol fica branco e furado
Os passos voltam pro mesmo lugar
E antes de o sol voltar,
Os pensamentos ficam a vagar
Sem rumo, sem se importar.
Por isso, um sorriso, na certa
Pode até enganar
Mas olhos sonhadores sempre me avisam
Quando os pensamentos noturnos voltam ao lar.
Passos, pessoas, eu sei onde eles moram
Sei dos carros, das rotinas
Dos erros, das esquinas.
Sei que ganham, sei que morrem.
Que perdem, que escorrem.
Mas os olhos jamais mentem
São cruelmente sinceros quanto à dor de cada um
O amor de cada um, todos os pensamentos.
Aqueles que fazem os passos mudarem de direção
Correrem, chutarem.
Os olhos e os passos.
Os pensamentos e o tempo.
As pessoas e os sentimentos.
Eu posso ver quem faz os meus passos.
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